Família de Naâma Asfari denuncia agravamento de situação e cobra ação internacional
A família do defensor dos direitos humanos e preso político saharaui Naâma Asfari divulgou um comunicado oficial no qual contesta as informações apresentadas pela Delegação Geral de Administração Penitenciária e Reintegração de Marrocos sobre seu estado de saúde e sua situação jurídica. Segundo o documento, a versão divulgada pelas autoridades marroquinas não reflete a realidade vivida pelo ativista.
De acordo com a família, Naâma Asfari está em greve de fome por tempo indeterminado desde o dia 8 de junho de 2026, em protesto contra o que classifica como violações sistemáticas de seus direitos fundamentais. A mobilização já ultrapassou sete semanas e, segundo o comunicado, ocorre mesmo após manifestações de organismos das Nações Unidas, como o Comitê contra a Tortura (CAT) e o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária (WGAD), que já se pronunciaram sobre o caso.
Entre as denúncias apresentadas está a suspensão do direito de utilizar o telefone desde 13 de julho de 2026, medida que, segundo a família, mantém o ativista isolado de seus familiares e advogados. O comunicado também afirma que sua esposa, Claude Mungán-Asfari, continua impedida de visitá-lo desde janeiro de 2019, situação que, segundo os familiares, também afeta outros presos políticos saarauis detidos nas penitenciárias de Kenitra e Tifelt.
Outro ponto destacado é a transferência de Naâma Asfari para um hospital fora do sistema prisional, ocorrida em 15 de julho de 2026. A família afirma que a mudança foi realizada sem qualquer comunicação prévia aos parentes ou à equipe jurídica, além de denunciar a falta de informações sobre seu estado de saúde.
No documento, os familiares exigem que as autoridades marroquinas cumpram as decisões e recomendações emitidas pelos mecanismos das Nações Unidas, cessem as medidas consideradas repressivas e garantam os direitos do preso político.
A nota também manifesta solidariedade aos presos políticos saarauis Mohamed Lemine Haddi, Hassan Daha, Ahmed Sabai, Mohamed Bani e aos demais integrantes do grupo de Gdeim Izik, afirmando que eles também enfrentam represálias e violações de direitos.
Ao final, a família responsabiliza as autoridades marroquinas pela integridade física de Naâma Asfari e faz um apelo às Nações Unidas e às organizações internacionais de direitos humanos para que intervenham com urgência, assegurem informações sobre seu estado de saúde, garantam o acesso de familiares e advogados e promovam o cumprimento das resoluções internacionais relacionadas ao caso.